SOROCABA / SP - sábado, 25 de novembro de 2017

PILULAS E ISQUEMIA CEREBRAL

As mulheres que usam pílulas anticoncepcionais orais correm um maior

risco de sofrer endurecimento nas artérias, o que pode provocar doenças

do coração e derrames cerebrais, segundo um novo estudo apresentado

 durante o encontro da Associação americana do Coração em 2007.




Pesquisadores belgas descobriram que mulheres que consumem a famosa pílula possuem uma tendência maior a ter placas, ou uma concentração de tecido adiposo, em suas artérias, do que mulheres que não usaram esse tipo de controle de natalidade.


As taxas da doença aumentaram significativamente com o uso em longo prazo das pílulas, aumentando de 20 a 30% por década de utilização.


A probabilidade de sofrer de arteriosclerose aumenta com a idade, mas suas complicações podem ser fatais.


Quando as placas se desprendem das paredes dos vasos sanguíneos, podem causar a formação de coágulos que podem bloquear o fluxo de sangue ou irem para outras partes do corpo.


Os coágulos que bloqueiam as artérias que levam sangue ao coração ou ao cérebro podem causar infartos ou derrames cerebrais.


Os autores do estudo advertem, entretanto, que as mulheres não deixem de usar os anticoncepcionais orais apenas baseados nesse estudo, destacando que os resultados são preliminares e que há outras maneiras de diminuir o risco de doenças cardiovasculares.


"As mulheres que não fumam que são fisicamente ativas e que mantém o peso e o nível de lipídios saudáveis, reduzem o risco dessas placas se desprenderem", disse Ernst Rietzschel, cardiologista da Universidade de Ghent, na Bélgica.


"Contudo, se elas puderem limitar sua exposição aos anticoncepcionais, seria muito bom", assinala o estudo.


Estima-se que cerca de 100 milhões de mulheres em todo o mundo usem hormônios sintéticos para inibir a ovulação e evitar gravidez não desejável.

Estudos prévios têm vinculado os anticoncepcionais à pressão alta a coágulos, apesar deste ser o primeiro estudo que os associa com a arteriosclerose.


"Acreditávamos que uma vez que se deixava de usar os anticoncepcionais orais, o risco de coágulos desaparecia; mas essa parece ser uma visão muito simplista", afirma Rietzschel.


No estudo, o cardiologista estudou as artérias de 1.300 mulheres belgas entre 35 e 55 anos, usando o ultra-som.


Cerca de 81% das mulheres haviam usado anticoncepcionais orais em algum momento da sua vida.


O tempo médio de utilização da pílula foi de 13 anos.


Os pesquisadores detectaram uma surpreendente incidência de arteriosclerose entre as mulheres saudáveis que haviam tomado a pílula.


Rietzschel afirma que a descoberta pode significar o aumento, no mundo, das

doenças do coração entre as mulheres com 60 anos - a primeira geração a usar

este método de controle de natalidade em larga escala, pela primeira vez, na

década de 60.