SOROCABA / SP - terça-feira, 26 de setembro de 2017

NEUROFIBROMAS

NEUROFIBROMAS

 

 

Como os schwannomas, originam-se em células de Schwann. São tumores de nervos periféricos e autonômicos, habitualmente múltiplos, e fazem parte do quadro da neurofibromatose do tipo 1 (abaixo). Neurofibromas solitários são raros.

Macroscopicamente, os neurofibromas (ao contrário dos schwannomas) tendem a ser mal delimitados e não encapsulados. O exemplo extremo é o neurofibroma plexiforme que, em vez de formar nódulo ou massa, espessa difusamente um segmento de nervo e suas ramificações (daí o termo plexiforme). Os neurofibromas de pele são nódulos moles, pedunculados ou sésseis, geralmente múltiplos, com diâmetro de 0,5 a vários cm., cobertos por epiderme.

Microscopicamente, os neurofibromas são constituídos por todos os elementos do nervo: células de Schwann (que predominam), fibroblastos e axônios. As células são caracteristicamente onduladas, e   dispostas de forma frouxa e mais ou menos paralela em estroma mixóide com fibras colágenas. A textura espaçada das células diferencia os neurofibromas dos schwannomas, onde feixes compactos são a regra. Nos neurofibromas, os axônios do nervo que originou o tumor estão presentes entre as células neoplásicas (ao contrário dos schwannomas). A malignização de neurofibromas é rara.
 

NEUROFIBROMATOSES, tipos 1 e 2.

São doenças autossômicas dominantes comuns, com certa superposição dos sinais e sintomas, mas geneticamente distintas.  A tipo 1 era antigamente chamada de neurofibromatose de von Recklinghausen e a tipo 2 de neurofibromatose acústica.

Neurofibromatose do tipo 1

A neurofibromatose do tipo 1 é comum (cerca de 1 em cada 3000 indivíduos). Em metade dos casos há história compatível com herança autossômica dominante.  A outra metade parece decorrer de mutação nova, uma das mais freqüentes na espécie humana. O gene foi localizado no braço maior do cromossomo 17 e codifica uma proteína chamada neurofibromina. Esta regula a atividade de uma proteína do grupo ras, que controla crescimento celular. Há desde formas frustas a graves.

As feições clínicas principais da neurofibromatose do tipo 1 são:

  1. neurofibromas múltiplos, situados em qualquer região do corpo.  Podem ser cutâneos,  subcutâneos (ambos podem ser pedunculados) e plexiformes (formados por múltiplos ramos nervosos espessados e tortuosos).  Cerca de 5% dos pacientes com neurofibromatose do tipo 1 sofrem malignização de neurofibromas plexiformes grandes, situados em troncos nervosos do pescoço ou extremidades.
  2. lesões pigmentadas da pele, chamadas de manchas café-com-leite.  Quando o paciente tem 6 ou mais máculas com diâmetro maior que 1,5 cm., o diagnóstico de neurofibromatose do tipo 1 é provável. (Lembrar que os melanócitos, como as células de Schwann, são originados da crista neural).
  3. hamartomas pigmentados da íris, chamados nódulos de Lisch (presentes em 94% dos pacientes após idade de 6 anos). São assintomáticos, mas ajudam no diagnóstico.

A neurofibromatose do tipo 1 também se acompanha de várias anomalias ósseas e maior tendência a tumores como meningiomas, astrocitomas pilocíticos de nervo óptico,  feocromocitomas, tumor de Wilms, rabdomiossarcoma e leucemia mielóide crônica.

Neurofibromatose do tipo 2

A neurofibromatose do tipo 2 é associada a outro gene, situado no cromossomo 22, que também codifica uma proteína (merlina) reguladora do crescimento celular.  A incidência é bem menor que a do tipo 1 (1 em 40.000 ou 50.000 indivíduos).

Clínica.  Pacientes com neurofibromatose do tipo 2 desenvolvem uma série de tumores, principalmente:

Pode haver manchas café-com-leite, mas não nódulos de Lisch.