SOROCABA / SP - quinta-feira, 23 de novembro de 2017

HÉRNIAS DISCAIS CERVICAIS

HÉRNIAS DISCAIS CERVICAIS

 

 

As hérnias discais são patologias que fazem parte do quadro de

degeneração da coluna, tendo sua origem ligada ao desgaste das estruturas do

disco. Se a coluna lombar sofre principalmente por ser a região que suporta

maiores cargas, a coluna cervical também sofre um desgaste muito grande,

principalmente devido a sua grande mobilidade.

As hérnias discais podem existir em qualquer parte da coluna e, na

maior parte dos casos, não provocam sintomas, sendo apenas um sinal do

desgaste normal da coluna com o processo degenerativo. Nesses casos, elas

não são consideradas uma doença, apenas um sinal de envelhecimento.

Hérnias discais cervicais assintomáticas estão presentes em pelo menos 25%

das pessoas de 50 anos.

Embora sejam mais comuns no segmento lombo-sacro, a parte

baixa da coluna, as hérnias discais sintomáticas, quer dizer, aquelas que

provocam problemas clínicos, e são consideradas uma doença, ocorrem

também na região cervical, apresentando um quadro de sintomas bastante

diferenciado.

 

QUADRO CLÍNICO

 

Do ponto vista anatômico, as hérnias discais cervicais são muito semelhantes às da região lombar, ou seja, tratam-se de fragmentos do disco intervertebral

que se deslocam, devido a rupturas ocorridas na periferia do disco, e acabam comprimindo as estruturas nervosas próximas.

 

Os sintomas das hérnias cervicais, porém, são muito diferentes daqueles das hérnias lombares, pois sua localização na parte mais alta da coluna faz com elas atinjam nervos com distribuições bem distintas.

Os discos cervicais, além de estarem muito próximos das raízes dos nervos que vão se distribuir no território dos braços, também estão em contato com a medula cervical, que é tronco nervoso principal, em continuidade direta com o cérebro, de onde se origina a inervação de todas as partes do corpo do pescoço para baixo.

Assim, as hérnias cervicais podem provocar sintomas não só de compressão dos nervos, mas também de compressão da própria medula.

As hérnias cervicais podem ser responsáveis por três tipos principais de sintomas:

 

1-    Cervicalgia

2-    Braquialgia

3-    Mielopatia.

 

A cervicalgia nada mais é do que dor no pescoço, na região

cervical.

Embora seja muito freqüente nos caso de hérnia, a dor cervical é um

sintoma pouco específico, que pode ser causado por inúmeros problemas além

das hérnias cervicais, desde a má postura, até as deformidades do pescoço.

 

Muitas vezes ficamos em dúvida se a cervicalgia é causada mesmo pela hérnia, ou se está sendo provocada por uma contratura muscular, ou outro fator associado.

É muito difícil e arriscado fazer o diagnóstico de hérnia cervical, ou definir algum tipo de tratamento mais agressivo, apenas pela presença de dor

cervical.

 

Braquialgia é a dor irradiada para o braço, que vem a ser o sintoma mais típico da hérnia discal cervical.

Geralmente esta braquialgia vem acompanhada de dor cervical, podendo então ser chamada de cervicobraquialgia.

Esta dor é provocada pela compressão que a hérnia faz nas raízes dos nervos que se distribuem nos braços, sendo equivalente à dor ciática, que ocorre nas hérnias discais lombares.

A braquialgia irradiada é um sintoma que costuma ser bastante específico, levantando de imediato a suspeita de hérnia cervical.

Muitas vezes, o trajeto por onde a dor se distribui no braço pode dar informações até sobre qual o disco mais provavelmente doente.

Isso pode ser muito importante para se saber qual o disco está sendo realmente problemático naqueles casos em que os exames mostram mais de uma hérnia.

 

A mielopatia é o quadro provocado pela compressão da medula cervical.

Nem todas as hérnias cervicais comprimem a medula, apenas aquelas de tamanho maior, e que se deslocam para a parte mais central do canal.

A mielopatia é um sinal bem mais grave que a dor cervical ou a braquialgia, a

existência de mielopatia significa sofrimento do tronco nervoso principal daquela região, existindo risco de lesões definitivas, irreversíveis, que podem

comprometer os movimentos e a sensibilidade de todo o corpo do pescoço para baixo, deixando seqüelas muito graves.

 

É raro que a mielopatia se estabeleça de modo repentino, via de regra ela se instala de maneira lentamente progressiva, no decorrer de meses ou anos.

 

O quadro mais comum é de dificuldade para caminhar, com rigidez e aumento dos movimentos reflexos das pernas acompanhados de alguma fraqueza dos braços.

 

A cervicalgia e a braquialgia são sintomas dolorosos que podem ser bastante desagradáveis, e até mesmo provocar limitações grandes, mas costumam ser de natureza limitada e benigna, apresentando riscos apenas ocasionais de lesão neurológica. Com a mielopatia é diferente, devido ao risco de seqüelas ela é um sintoma preocupante, e uma indicação para que se pense em tratamento cirúrgico de maneira mais rápida.

 

DIAGNÓSTICO

 

Mesmo nos casos em que o quadro clínico e exame físico do paciente são muito sugestivos, o diagnóstico de hérnia de disco cervical só pode

ser confirmado por exames de imagem.

Atualmente, o exame de eleição para diagnóstico das hérnias discais cervicais é a ressonância magnética.

Esse exame tem condições de mostrar com boa definição os discos, as raízes dos nervos, e a medula cervical.

Por isso, ele possibilita que se avalie o grau em que as estruturas nervosas estão comprimidas e o local exato da compressão, permitindo um bom planejamento nos casos em que a cirurgia se faz necessário.

 

Nos casos de mielopatia, a ressonância magnética pode, ocasionalmente,

mostrar sinais de menor ou maior gravidade da lesão medular (figura).

A tomografia computadorizada é menos sensível que a ressonância magnética, e fornece imagens bem menos detalhadas dos discos e nervos, mas é superior em termos de visualização das partes ósseas.

 

Hoje em dia, a tomografia é um exame alternativo, utilizado quando a ressonância não for disponível.

 

O RX simples da coluna é um exame rotineiro, que permite o diagnóstico de lesões ósseas. Geralmente é o primeiro exame a ser solicitado quando há uma dor a investigar, e pode mostrar uma série de problemas, avaliar a questão postural, etc., mas ele não mostra os discos e nervos, não sendo suficiente para confirmar ou não um diagnóstico de hérnia cervical.

 

Em alguns casos o quadro clínico e o exame físico do paciente podem deixar dúvidas sobre uma dor no braço estar ou não sendo causada por uma compressão de raiz nervosa cervical, e em outros casos pode-se necessitar de um diagnóstico bem específico sobre qual a raiz nervosa é responsável pelo

sintoma doloroso.

Nessas situações, podem-se utilizar os exames neurofisiológicos, como a eletroneuromiografia e os potenciais evocados.