SOROCABA / SP - quinta-feira, 23 de novembro de 2017

CANCER GINECOLÓGICO E ESTROGENICOS

Incidência de câncer ginecológico em áreas urbanas é seis vezes maior do que em áreas rurais. A exposição aos xenoestrogênios pode ser a causa, segundo artigo do BJOG

 

 

 

Pesquisa publicada no International Journal of Obstetrics and Gynaecology (BJOG) mostra altaincidência de câncer ginecológico (câncer de endométrio, de ovário e de colo de útero) em áreas urbanas no Egito, comparado à incidência em áreas rurais. O estudo sugere que as mulheres que vivem em zonas urbanas estão mais expostas aos xenoestrogênios ambientais (compostos industriais que têm atividade semelhante ao estrogênio), os quais podem aumentar o risco de desenvolvimento de tumores malignos relacionados a estímulos hormonais.

Foram analisados os dados de mulheres diagnosticadas com câncer ginecológico no Gharbiah Cancer Registrydurante quatro anos. Os resultados mostram que a incidência dos 3 tipos de tumores estudados (câncer deendométrio, colo de útero ou ovário) é mais alta em áreas urbanas. O aumento observado é de cerca de 6 vezes em relação à incidência encontrada em mulheres de áreas rurais.

Tumores malignos em órgãos femininos como câncer de mama ou de útero estão associados à exposição prolongada ao estrogênio. A presença e a exposição aos xenoestrogênios ambientais é alta em áreas urbanas.

Estudos prévios mostram que a incidência de câncer de mama é 3 a 4 vezes mais alta em áreas urbanas. No presente estudo, os pesquisadores investigaram a incidência de outros tumores ginecológicos (endométrio, colo de útero e ovário) em áreas urbanas e rurais para avaliar se existe esta mesma tendência.

Tumores como leucemia (determinados geneticamente) têm as menores diferenças de incidência entre áreas urbanas e rurais, seguidos de tumores não dependentes de estímulo hormonal. Quando acrescentam-se cânceres dependentes de estímulos hormonais, aumentam as diferenças nas incidências para cerca de 70% (estas diferenças entre zonas urbanas e rurais aumentam em 146% quando apenas cânceres dependentes de hormônios são considerados).

O coordenador do estudo, Dr. Amr Soliman, disse que na população estudada não há diferenças entre mulheres de zonas urbanas ou rurais em relação a outros fatores de risco para câncer uterino ou de mama, acesso aos serviços de saúde ou comportamento. Também o uso de pílulas hormonais ou terapia hormonal é pequeno em mulheres do Egito. A alta exposição a agentes químicos industriais no ambiente que atuam como hormônios é um possível fator de risco nestes casos.

 

Fonte consultada:


BJOG – An International Journal of Obstetrics and Gynaecology de 16 de dezembro de 2009